quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Estranha forma de vida


Há quem o venere…
Há quem o não suporte…
Há quem apenas o tolere…
Há quem não desgoste…
Para alguns uma forma de vida…
Para os outros bem estranha por sinal…
Mas para todos, o FADO é, a partir de agora, da Humanidade, Património imaterial.
Para muitos continua a ser uma linguagem incompreensível, mas se ainda não fizeram a experiência, acreditem em mim, como dizia a canção: “há um pouco de Amália em cada um de nós.”
Mas de onde vem este modo de cantar, de tocar, de viver?
Em três palavras vos conto a sua história… é muito antiga,
tão antiga como o nosso povo… Desde as cantigas de amigo e de amor que os
trovadores inventaram, aos tristes cantos daqueles que partiam nas embarcações
à procura de novos mundos, que faziam coro com os daqueles que ficavam, mães e
amadas à espera de promessas… das influências dos ritmos afro-americanos que os
marinheiros beberam, às modinhas que animavam os típicos bairros alfacinhas,
das capas negras dos estudantes de Coimbra, aos pregões das peixeiras na
Ribeira… eis a nossa gente! Eis o seu modo de falar, o seu modo de cantar
quando não pode fazer mais nada… E canta tudo o que o coração humano pode
sentir e principalmente, canta a saudade! Sabem o que é? Este misterioso
sentimento que habita cada um de nós? Ah, a saudade, tão nossa, essa certeza de
poder voltar a casa sempre, sempre… essa esperança de uns braços abertos à
nossa espera… esse lugar cativo no coração daqueles que nos querem… A saudade…
E o FADO canta-a… Mas não só… O FADO critica, comenta, diverte, chora, ama,
reza…
Em cada FADO a fotografia de uma alma ou de um quarteirão português…
Mas a partir de hoje, o FADO não é só Português, não é só a canção
de Severa, Marceneiro, Amália, Carlos do Carmo, Mariza ou Ana Moura- é um
tesouro do mundo.
Um tesouro que fala de Portugal, da sua cultura, da sua língua, da sua gente.
Faço-vos o convite…deixem que o FADO vos conquiste!
A todos os que gostam de Fado... e aos que querem aprender a gostar

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