quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Rei sem reino


Um dia espreitaste pela janela do teu mundo interior e aquilo que viste passou a ser o sonho que conduziu os teus passos.

Reinar.

Mas não como os políticos do Mundo, não como quem manda e é obedecido. Não como quem vive sentado no trono elevado de onde olha o império das suas conquistas. Não como quem quer absorver aqueles sobre quem reina. Não para ter poder, fama ou sucesso. Mas para ser homem. Conquistar para ser amado. Reinar para ser pertença de alguém, para encontrar a própria identidade.

Se o homem não reina o seu mundo interior e exterior, sente-se inútil, porque governado, sem poder pegar nas rédeas da sua vida. Porque para ele, cada passo tem de ser conquista, luta guerrida, vitória e marcas de guerra. É assim que se recorda de estar vivo e de correr ainda. É assim que se recorda de ter vocação de guerreiro. É assim que a sua vida mantém o sentido e mata o ócio de quem já não tem reinos para conquistar. Reinos... O coração de alguém que espera. Com a dose certa de sensibilidade e ternura, de silêncio e afecto com que enfaixa as feridas da guerra. Essa alguém que transforma a casa em lar e o comer em jantar. Essa alguém que não precisa de jóias ou tecidos finos pilhados durante a injusta luta. O seu maior troféu é o regresso do Rei, feliz por mais uma conquista, mesmo que só visível aos dois.

Mais uma incompreensão, uma traição, uma mão estendida que foi desprezada, uma vontade generosa que foi recusada. E o Rei que montava a mansidão, regressa à casa-lar na humildade das almas nobres, que sabem driblar as hipocrisias e falsidades. E o Rei, que de joelhos partiu para a grande conquista com as mãos cheias de carinho, regressa com elas cheias de carinho e uma lágrima, que é sempre a marca dos grandes feitos.

Ó Rei, não fiques triste por teres voltado só!

Ó Rei, não fiques triste por não te terem deixado entrar como quem serve, nos seus corações.

Desculpa-os da sua rude ignorância, de quem nunca experimentou o sabor de conquistar para ser conquistado pelo amor daqueles a quem se pertence. Eles não pertencem a ninguém.

O teu reino é maior do que o que eles veêm e tão bonito!...

Meu querido Rei, obrigada por ser uma das tuas conquistas!



Ao meu Pai que me ensinou o que é um coração nobre

Lisboa 12 Outubro de 2009

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