
Olho para ele e vejo um corpinho carcomido pela doença, pelos maus tratos e pela solidão e o grito me escapa da alma…
“Não hei-de beber o cálice que o Pai me deu?”
Ninguém se interessa realmente, porque este não é um caso para publicar… É só mais um velhinho de muita idade com mais uma pneumonia cuja lista de problemas tem 14 pontos…
“Já Te disse mulher que não O conheço”.
Ainda assim o maior deles não foi escrito. Ninguém investe muito, principalmente em relação, porque está escrito “frequentes períodos de confusão, pouco comunicativo e desorientado”.
“Se falei mal, mostra-me em quê, mas se falei bem, porque me bates?”
O maior problema? Medo.
Da parte de quem trata.
Tanto gemido, tanto sofrimento, tanto tanto… E ali sozinho, entre os panos amarelados que chamam a morte, com que se isolam os doentes “em estado crítico”…
“Não pudeste vigiar uma hora comigo?”
Vou lá espreitar e saio logo em seguida porque o trabalho urge. Alguém me lança um olhar que diz “Já foi? Se não foi está para ir…”
“Crucifica-O, crucifica-O!”
E tudo passa tão rápido… A dor passa tão rapidamente, e os gritos também…
Tudo se cala. O doente velhinho (que tem um nome mas não tem família que o queira), porque teve “alta celestial”, como costumam brincar…. E calam também aqueles que deveriam cuidar, porque “estas coisas acontecem”…
“E, inclinando a cabeça, expirou.”
Estas coisas são a vida e a morte. E dói muito. Dói muito. Porque é suposto, dizem, tratar as pessoas, não gostar delas. E eu não sei não gostar.
“Filho, eis aí a tua Mãe!”
Abre-se a terra na Madeira, com a força destruidora das águas… Vidas lavradas… Frutos de anos de vida arrastados pela lama…
“Mãe, eis aí o teu filho!”
Pescadores que desaparecem no azul enfurecido daquele que aprenderam a domar… E que nunca mais ninguém encontrou.
“Colocaram-Lhe uma coroa de espinhos e mandaram-nO flagelar.”
A Mãe que fica sozinha com 4 meninos, dois deles “Down”, porque o marido encontrou umas pernas mais bonitas, que lhe oferecem o que ele diz nunca ter tido.
“Aproximavam-se d’Ele e diziam: Salve ó Rei dos Judeus, e davam-Lhe bofetadas.”
Pais que choram no silêncio da noite não poderem dar mais “Nestum” aos filhinhos pequenos. Porque a crise os pôs na espiral dos “dispensados”.
“Tenho sede!”
Meninos que morrem porque nasceram no país errado.
“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.”
Homens que desistem da vida.
“Não choreis por Mim, chorai antes por vós, porque se fazem isto ao lenho verde, que farão ao seco?”
Porque com a morte tudo se cala.
“Na verdade, este Homem era justo.”
Já chega, Senhor, já chega!...
“Deus amou tanto o Mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigénito…”
Calo-me. Porque para Ti, Senhor, nunca chega.
Sabes a conta a cada lágrima vertida por cada homem (e minhas tens umas quantas!), porque Tu mesmo as choraste.
“Não hei-de beber o cálice que o Pai me deu?”
Ninguém se interessa realmente, porque este não é um caso para publicar… É só mais um velhinho de muita idade com mais uma pneumonia cuja lista de problemas tem 14 pontos…
“Já Te disse mulher que não O conheço”.
Ainda assim o maior deles não foi escrito. Ninguém investe muito, principalmente em relação, porque está escrito “frequentes períodos de confusão, pouco comunicativo e desorientado”.
“Se falei mal, mostra-me em quê, mas se falei bem, porque me bates?”
O maior problema? Medo.
Da parte de quem trata.
Tanto gemido, tanto sofrimento, tanto tanto… E ali sozinho, entre os panos amarelados que chamam a morte, com que se isolam os doentes “em estado crítico”…
“Não pudeste vigiar uma hora comigo?”
Vou lá espreitar e saio logo em seguida porque o trabalho urge. Alguém me lança um olhar que diz “Já foi? Se não foi está para ir…”
“Crucifica-O, crucifica-O!”
E tudo passa tão rápido… A dor passa tão rapidamente, e os gritos também…
Tudo se cala. O doente velhinho (que tem um nome mas não tem família que o queira), porque teve “alta celestial”, como costumam brincar…. E calam também aqueles que deveriam cuidar, porque “estas coisas acontecem”…
“E, inclinando a cabeça, expirou.”
Estas coisas são a vida e a morte. E dói muito. Dói muito. Porque é suposto, dizem, tratar as pessoas, não gostar delas. E eu não sei não gostar.
“Filho, eis aí a tua Mãe!”
Abre-se a terra na Madeira, com a força destruidora das águas… Vidas lavradas… Frutos de anos de vida arrastados pela lama…
“Mãe, eis aí o teu filho!”
Pescadores que desaparecem no azul enfurecido daquele que aprenderam a domar… E que nunca mais ninguém encontrou.
“Colocaram-Lhe uma coroa de espinhos e mandaram-nO flagelar.”
A Mãe que fica sozinha com 4 meninos, dois deles “Down”, porque o marido encontrou umas pernas mais bonitas, que lhe oferecem o que ele diz nunca ter tido.
“Aproximavam-se d’Ele e diziam: Salve ó Rei dos Judeus, e davam-Lhe bofetadas.”
Pais que choram no silêncio da noite não poderem dar mais “Nestum” aos filhinhos pequenos. Porque a crise os pôs na espiral dos “dispensados”.
“Tenho sede!”
Meninos que morrem porque nasceram no país errado.
“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso.”
Homens que desistem da vida.
“Não choreis por Mim, chorai antes por vós, porque se fazem isto ao lenho verde, que farão ao seco?”
Porque com a morte tudo se cala.
“Na verdade, este Homem era justo.”
Já chega, Senhor, já chega!...
“Deus amou tanto o Mundo, que lhe deu o Seu Filho Unigénito…”
Calo-me. Porque para Ti, Senhor, nunca chega.
Sabes a conta a cada lágrima vertida por cada homem (e minhas tens umas quantas!), porque Tu mesmo as choraste.
A todos os que choram sozinhos
Olá querida Cátia. Parabéns pela tua tese!
ResponderEliminarComo de todos os outros gostei muito deste teu post. Principalmente da tua coragem como médica, em dizeres e escreveres:
"Porque é suposto, dizem, tratar as pessoas, não gostar delas. E eu não sei não gostar."
Sim, porque n'Ele todos são justos!Foram justifcados por tanto Amor.
Beijinho
Carmo
imc
OLá Cátia!
ResponderEliminarAdorei o teu texto...
Descreves tão bem a realidade dos "cristos sofredores" da actualidade...
Que no calvário de cada pessoa que está ao nosso lado, cada um de nós tenha a capacidade de poder ter um olhar maternal de Maria... que com amor se une ao sofrimento de Cristo e o comtempla na sua maior dimensão.
Que o amor e a caridade sejam a resposta ao sofrimento de cada pequeni cristo. Para que ao questionarmos "onde está Deus?" em segredo o nosso coração nos revele: "aqui, no amor".
Beijinho grande
Tua amiga
Rita Cardão