Que ânsia é esta que acelera cá dentro?
Que pressa é esta de chegar ao fim?
Parem, parem. Por favor, parem. Que alguém me olhe cinco minutos. Sem tempo contado. Alguém que me fale de mim. Que me diga quem sou, que me esqueci. Não sei onde me deixei, mas perdi-me em qualquer esquina dum bairro mal frequentado. E não sei como voltar. Parem. Peço um silêncio para partilhar. Alguém que não se importe de esperar que eu chore. E será que alguém vai chorar quando eu não estiver cá? Será que eu vou importar para alguém?
Porque é que haveria de importar?...
A maior parte de nós vive só, sem ninguém que ponha como fim da sua vida a felicidade desse a quem ama. Mas os homens conseguem amar porque sim?...
Tristes monjes de vocação forçada, vivendo em torres altas, escuras, frias. De vez em quando o sol passa o vidro sujo das poucas janelas que existem e lembramo-nos que ainda somos homens. Fora disso vamos tentando não nos lembrar muito que vivemos, como se doesse só o recordar dessa verdade insuperável…
Preciso de uma razão para amanhã me levantar da cama, apesar das ligaduras no chão de uma vida que já cá não está. Porque é que a vida é assim?
O que é que se podia ter feito mais?, perguntamos, depois que tudo acabou…
Achamo-nos senhores do mundo e não passamos de formigas do universo… por isso ainda mais me espanta que sejamos tão grandes por dentro, que tenhamos tantos recantos que nunca ninguém conhecerá. Dói-me a minha humanidade. Toda ela chora agora. Porquê esta solidão?... Porquê esta impotência diante das nossas próprias forças interiores? Porquê este peregrinar infindável de quem procura uma gota de água e já nem sequer pode gritar porque a garganta está colada?
Porque é que continuam a mentir, dizendo que não há fim, quando é ele a única razão para não deixar de respirar e o único toque de calor que anima o coração preste a parar?...
Não me mintam! Olhem para mim, por favor. Levem-me a casa.
Não, não quero aliviar esta opressão… quero beber cada gota deste sangue que me escorre da alma. Quero ser boa irmã dos meus irmãos, os homens, e dividir a angústia de ser homem mas não totalmente e de estar em terra estrangeira à procura de água, sem saber a língua que se fala. E choro, choro, choro, triste. A alegria de ser homem, cansado.
Não tenho mais forças, baixo os braços. Alguém que mos segure.
Que pressa é esta de chegar ao fim?
Parem, parem. Por favor, parem. Que alguém me olhe cinco minutos. Sem tempo contado. Alguém que me fale de mim. Que me diga quem sou, que me esqueci. Não sei onde me deixei, mas perdi-me em qualquer esquina dum bairro mal frequentado. E não sei como voltar. Parem. Peço um silêncio para partilhar. Alguém que não se importe de esperar que eu chore. E será que alguém vai chorar quando eu não estiver cá? Será que eu vou importar para alguém?
Porque é que haveria de importar?...
A maior parte de nós vive só, sem ninguém que ponha como fim da sua vida a felicidade desse a quem ama. Mas os homens conseguem amar porque sim?...
Tristes monjes de vocação forçada, vivendo em torres altas, escuras, frias. De vez em quando o sol passa o vidro sujo das poucas janelas que existem e lembramo-nos que ainda somos homens. Fora disso vamos tentando não nos lembrar muito que vivemos, como se doesse só o recordar dessa verdade insuperável…
Preciso de uma razão para amanhã me levantar da cama, apesar das ligaduras no chão de uma vida que já cá não está. Porque é que a vida é assim?
O que é que se podia ter feito mais?, perguntamos, depois que tudo acabou…
Achamo-nos senhores do mundo e não passamos de formigas do universo… por isso ainda mais me espanta que sejamos tão grandes por dentro, que tenhamos tantos recantos que nunca ninguém conhecerá. Dói-me a minha humanidade. Toda ela chora agora. Porquê esta solidão?... Porquê esta impotência diante das nossas próprias forças interiores? Porquê este peregrinar infindável de quem procura uma gota de água e já nem sequer pode gritar porque a garganta está colada?
Porque é que continuam a mentir, dizendo que não há fim, quando é ele a única razão para não deixar de respirar e o único toque de calor que anima o coração preste a parar?...
Não me mintam! Olhem para mim, por favor. Levem-me a casa.
Não, não quero aliviar esta opressão… quero beber cada gota deste sangue que me escorre da alma. Quero ser boa irmã dos meus irmãos, os homens, e dividir a angústia de ser homem mas não totalmente e de estar em terra estrangeira à procura de água, sem saber a língua que se fala. E choro, choro, choro, triste. A alegria de ser homem, cansado.
Não tenho mais forças, baixo os braços. Alguém que mos segure.
27 de Fevereiro de 2009
Aos companheiros de voo que me são espelho
Sem comentários:
Enviar um comentário